terça-feira, 10 de maio de 2011

osun, dona do meu ori,
a grande mae, dona das águas.
Olho para o céu investigando meu passado..
o que fostes? o que fui?
saber de ti é mais do que saber ser mãe,
é preciso ser mulher, daquelas que já nao existem mais,
ou existem?
sua familia é a mesma que a minha?
minha missão é a mesma que a sua?
sinto que minha busca constante vai
se retornar a mim,
mas nesse momento, nao serei mais eu ;
seremos nós...
e eu saberei ser aquela que vi e não ser descrever.

ai minha mãe,
não quero me consumir antes do tempo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011




A ancestralidade é um dos pontos mais importantes.
aquilo que você é, esta diretamente ligado aos que vieram antes de você,
e seus ancestrais são aqueles que vão te repassar
a história, a energia e função da sua família, e assim tambem a sua
(é tudo ligado, não separa:
ancestralidade-individuo-familia-sociedade-caminhos)

Aprendi na escola que meus ancestrais eram escravos,
e que assim foram porque tinham pouca inteligência e
não souberam resistir a força e domínio tecnico português.

hoje sei que a história foi contada errada,e que
nem foram escravos, foram escravizados,
cuja tecnica construiu quase tudo aqui
até o candomblé... mas eu continuo sem saber.


quem sao meus ancestros?
hoje eu já posso saber que são yoruba
(Osunsanmi)
mas adoraria um dia poder saber e recontar
a verdadeira história dos meus...
ligar o ciclo...
saber dos meus ancestros-conhecer-me individuo - familia-sociedade...
e principalmente os caminhos que devo trilhar

ixa, mas passou um pássaro e disse:
é isso que esta sendo construído!

será?
(paciência, paciência, paciência)

quinta-feira, 5 de maio de 2011


quando eu me coloco diante de tua casa,
meu corpo se curva sozinho.
se curva de respeito ao grande feiticeiro,
que sei tão pouco...
e nem me atrevo a tentar dizer..

atotô!

mas meus pais me ensinaram,
que à omolu silêncio, fé e respeito;
e de omolu, resposta..

e por isso a ele toda reverencia..
o corpo que se curva e se cura
a voz que se cala e se multiplica em
silêncio e graditão...



(asè)
vejo sem lupa as coisas bem pequenas,
mas não caibo ali, não caibo acolá.
talvez seja por isso..
ninguém vê o que eu sei que existe.

Perguntei a Yemowo..

_agô minha mãe, mo juba.. que imensidão infinita vê-la.. quão linda és, mas, de onde vens?

Yemowo com o ritmo das ondas se perdeu no mar sem me responder, mas disse ao longe:

_ Eu sou aquela que esta próxima de Obatala!

Mas não pude endender e nem posso: me encaracolei..
e aprendi o ensinamento de Ifá quando diz: não mergulha fundo aquele que nao sabe nadar!

quão linda és minha mãe. mo jubá.




o jogo do candomblé é o jogo do reflexo..
do seu reflexo no espelho...
voce se prende ou se solta
caminha ou para,
entra ou corre...
um pouco de cada ou tudo de uma vez.
se descobre, se esconde.
ver o mundo...

depende da imagem que você vê
em voce...
aquele que é
e que gostaria de ser..




palavra falada é magia,
é ofó, é ancestralidade.
palavra escrita
na verdade é transcrita..
transcreve o mágico,
a transformação, a história e,
principalmente,
a memória para daqueles que já não lembram mais
mas que também vieram de lá..
lá onde a palavra falada é magia.


Não, não tenha medo da tempestade.
Quem não faz o mal não precisa temê-lo...
o vento desordenado baila entre as casas, entre as pessoas, e renova o ar..
levanta a folha seca do chão, e assopra aquilo tudo aquilo que deve
bem pra lá, no seu lugar..
o vendo bailante sai do invisível e atinge o mundo material..
dança, corre, nos encata...
e leva consigo aqueles que ja se foram
mas ainda estavam espalhados pelo chão...
(eparrei oia )
branco, rosa, vermelho e muito mais..
vai se o vento, fica a paz.




..E ainda se aproxima, não sei se mulher ou se menina.
se joga e pula no colo dos seus, e luta por eles com a força do amor...
e tranforma-se assim na guerreira destemida de tantas cores, proximas e indefinidas...
Ela se aproxima, não sei se mulher ou menina,
mas nem preciso saber, sei a que veio e o que vai fazer...
e me alegro, tanto, que não me caibo..
tão qual a ela, fluido, ocupa todos os espaços.